Ribatejo... com o Tejo a vista

Passeio de um dia até Santarém

No dia 1 de Maio optei por festejar o dia do trabalhador com um passeio de descoberta. O que pretendia era conhecer melhor o rio Tejo e as suas margens, seguindo o mais perto possível do rio na direção de Santarém.

 

Confesso que até agora não conhecia bem esta zona do Ribatejo, apenas um ou outro ponto de passagem, mas nunca de paragem. Portanto, desta vez planeei bem a viagem, recorrendo ao meu fiel GPS e ao Google Maps, e criei uma rota com todos os pontos de passagem que queria conhecer, escolhendo estradas secundárias o mais perto possível da margem do rio.

 

Com o trajecto planeado saí de casa por volta das 11h30, indo apanhar a A1 na direção de Vila Franca de Xira, onde, a partir daqui, todo o percurso seria feito por estrada secundária. Saí da AE na saída 3 e tomei a direcção do Carregado entrando na zona conhecida como "Vala do Carregado", uma zona muito industrial contrastando com alguma construção rural, uma mistura que até dá uma certa piada ao local...

 

 

 

Seguindo uns bons quilómetros ao lado da linha dos caminhos de ferro continuei na direção da Vila Nova da Rainha, e a estrada ía-se tornando cada vez mais estreita e rodeada de quintas até perder de vista.

Assim foi até a Azambuja, onde ía apanhar a estrada das Lezírias. Nesta zona encontrava-se o meu primeiro ponto de paragem. O Palácio da Rainha está apenas indicado com uma placa a dizer "PALACIO", apontando para uma estrada de terra sem fim à vista. Não há-de ser nada, pensei eu, e lá me fiz ao caminho. Quem disse que a PAN não gosta de "off road"?

Esta estrada, ou caminho, é um verdadeiro espetáculo. Rodeada de ambos os lados por valas de rega, atravessa inícialmente uns campos agriculas, mas depois vai-se embrenhando numa vegetação densa e verdejante, às vezes até sombria, que nos deperta os sentidos, quer pelo cheiros como pelos sons e calmaria.

 

 

 

 

 

Não vi quantos quilómetros fiz por esta estrada de terra batita, mas pareceu-me uns 5 ou 6 quilometros. A certa altura apercebo-me que devo estar a chegar ao tal Palácio. A vegetação dá lugar a uma recta rodeada de palmeiras gigantes, e finalmente dou com o rio do meu lado direito. O Palácio de ser por aqui, pensei eu.

E de repente, eis o Palácio da Rainha ali à minha frente. Uma ruína assombrada, perdida numa vegetação cerrada. Tive a sensação que estava num filme:

 

 

 

 

 

Pouco sei da história deste palácio, mas pela sua envolvência na paisagem, de frente para o rio e servido de uma pequena enseada, dá-me a sensação que a rainha tinha aqui uma bela casa de férias, e todas as mordomias de uma verdadeira rainha!

Aqui fica um pouco da história desta ruina: "O Palácio foi erigido, provavelmente durante o reinado de D.José I com a finalidade de servir de posto de controlo de tráfego de pessoas e mercadorias, através do canal artificial (Vala Real de Azambuja; os trabalhos de abertura e drenagem foram iniciados por ordem de D. João V e terminados em meados do século XIX), acabando por funcionar também como estalagem de apoio aos passageiros da carreira de vapores entre Lisboa e Constância.

Hoje em dia, do palácio restam as paredes exteriores, mas a sua envergadura e o encanto natural da área circundante, ajudam a compreender os motivos que levaram diversas figuras da nobreza e da Família Real, entre eles o Rei D. Carlos e o Príncipe D. Luís Filipe, a passarem ali alguns dos seus períodos de descanso."

E pronto. Estava na hora da "foto de presença", tirada pelo simpático pescador, e de voltar à estrada. À estrada alcatroada, entenda-se...

 

 

 

De volta à estrada, vou seguindo calmamente apreciando a paisagem, quando vejo estacionado numa quinta uma avioneta. Pois é, uma avioneta parada à beira da estrada em pleno ribatejo. Claro que não perdi a oportunidade de tirar umas fotos com o belo exemplar. O dono nem vê-lo, portanto era de aproveitar:

Após este momento descontraído, sigo viagem na direção a Reguengo, onde já tive oportunidade de estar com o Mototurismo TAP, precisamente na praia fluvial. Mas o meu destino aqui era outro. Tinha curiosidade de conhecer uma pequena aldeia plantada mesmo na margem do rio tejo, com o pitoresco nome de "Aldeia das Palhotas". Aqui fiz a minha 2ª paragem:

 

E estava feita a visita. Gostei muito de encontrar esta pequena enseada, onde um simpático local me tirou uma foto a meu pedido. E segui viagem passando por reguengo e a sua praia fluvial...

 

 

 

Continuando em frente, sempre com o Tejo à vista, as aldeias e vilas têm nomes como "Mota de Frode", "Valada", "Palmeira" e "Casal do Girassol", o que torna a viagem cheia de atractivos. Nesta estrada sempre estreita e com o rio ao nosso lado, encontramos passagens de verdadeira beleza pela sua simplicidade e por não existir quase trânsito nehnum, tirando um ou outro tractor... Aqui, uma pequena ponte um pouco antes de chegar a Santarém:

E finalmente chego a Santarém. Há muitos anos que não ía a Santarém, e das poucas vezes que lá estive, nunca tive a oportunidade de passear pela cidade. Devo dizer que gostei bastante, tem miradouros onde podemos ver a paisagem circundante sempre com o Tejo ao fundo:

 

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Almocei por aqui mesmo, eram já 15 horas. Estava muito calor, mas uma brisa fresca equilibrava a coisa, tornando suportável. Num passeio deste género andamos a um ritmo calmo, sem pressas, por isso sentimos mais o calor. Estava na hora de continuar caminho, e ao longe podia ver a ponte D. Luís I, que tinha que passar para a Tapada. Era aqui voltava para trás, agora descendo o rio em direção à capital.

 

 

Passando a Tapada, e antes de Almeirim voltei à direita, na direção do Benfica do Ribatejo. A estrada aqui torna-se quase uma caminho que só serve para os tratores irem para os campos. Seguindo por aqui só vemos campos agriculas, e vamos passando por locais bem engraçados, como uma sequência de pontes estreitas onde só cabe um carro:

Finalmente saio da estrada perdida e chego a Muge. Já vejo de novo o Tejo, a estrada torna-se maior e os campos mais verdes... Faço uma paragem no Santa Maria Palhota Turismo, casa de turismo bem bonita mas que parece um forte fortificado fechado a 7 chaves. Esta casa fica precisamente na margem contrária da Aldeia da Palhota, onde estive umas horas atrás.

Sigo caminho, e uns quilometros mais à frente deparo-me com uma marina no rio. Decido parar mais à frente, e encontro um local bem pitoresco, mesmo ao lado da marina:

 

 

E sigo caminho, na direção a Escaroupim. Já estou a entrar na civivlização, com mais trânsito, mais casas, mais gente. Mas ainda havia umas supresas no meu caminho. Passo por Salvaterra de Magos, onde estava a decorrer uma tourada na bonita praça de touras da vila. Cá fora ouvia a banda e a apresentação dos touros...

 

 

 

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E eis que chego a Benavente. Aqui tinha outro ponto que queria conhecer, a praia fluvial. Por estranho que pareça, não existe uma única placa a indicar o local e talvez por isso estivesse vazio, sem ninguém. Apenas dois pescadores marcavam presença... Esta praia fluvial é engraçada pelos seus paredões pintados de branco, passeios por cima do rio que nos levam a recantos escondidos e agradáveis. Perfeito para um passeio a pé, porque para tomar banho na água, há que esquecer a côr do Tejo...

E pronto. Hora de seguir viagem para Lisboa. Preferi apanhar a Nacional 10 e passar para o outro lado na ponte Marechal Carmona. Desta vez não ía apanhar a AE, mas sim seguir sempre pela Nacional 190 por até Vila Franca de Xira.

E chego a Lisboa pelo Parque das Nações. Eram 18h00, e como todo este passeio foi feito à volta do Tejo, nada como acabá-lo numa esplanada virado para o rio e com uma bela fresquinha à frente. Por isso, rumei à Marina, no passeio Neptuno, e sentei-me na esplanada concorrida do Roda do Leme,  a beber a minha cerveja e a admiriar o grande Tejo à minha frente.

 

 

 

Foi um belo passeio, sózinho, e com muitos locais descobertos. Vivemos num país cheio de belos recantos, e às vezes basta pegar na nossa mota e ir à busca deles. Aqui tão perto, e mesmo assim, desconhecido.

 

Aqui ficam alguns números:

 

206 km percorridos

Meio depósito gasto

0,45€ de portagem

6h de passeio

3h43 a andar

2h17 parado

 

Rota do Passeio para GPS GARMIN

Para terem acesso a esta Rota façam o download do ficheiro do MapSource da Garmin, aqui.

 

Bom passeio e boas curvas!


Comments: 6 (Discussion closed)
  • #1

    XTêzê (Tuesday, 04 May 2010 15:38)

    Bonitas fotos e passeio bem retratado. Gostei imenso desta página, obrigado.

    Tozé XT

  • #2

    Jonah (Wednesday, 05 May 2010 21:23)

    Very nice pictures!

  • #3

    Carlos (Thursday, 06 May 2010 22:47)

    Gostei muito desta tua crónica! Não conhecia essa zona, agora fiquei com vontade de ir conhecer. Obrigado pelo link da rota, já cá canta no meu gps. Já agora, eu vivo em cascais.

  • #4

    Luz (Monday, 24 May 2010 23:39)

    Adorei esta crónica! Parabéns pelo teu site, está fantástico!

  • #5

    Carlos Nelas (Friday, 04 June 2010 20:03)

    Bonita crónica, obrigado pela divulgação!

  • #6

    Nuno (Tuesday, 16 June 2015 00:43)

    Olá camarada.
    Gostei bastante das suas crónicas que até agora li.
    Apenas uma breve correção - em Benavente o rio é o Sorraia e não o Tejo.
    Espero que continue e partilhar connosco as suas experiências.
    Boas curvas....

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