Veneza e os seus canais

Veneza é bela, surreal, única. Primeiro estranha-se, depois entranha-se...

Veneza Italy

Obs: Esta é a Parte 7 da crónica Viagem a Itália 2011. Podem ler o início a partir daqui.

Levantamo-nos cedo para aproveitar o máximo do dia possível. Tinhamos tudo muito bem programado, não só as horas para passearmos, como a viagem ao fim do dia para Milão. A primeira coisa a fazer foi tomar o pequeno almoço e sair do hotel bem depressa, mais um que não deixou saudades. Não fosse o prestável recepcionista a resolver algumas das nossas reclamações, tinha sido uma noite sem descanso!

Mas às 8h30 da manhã quando nos dirigimos até à entrada de Veneza para estacionarmos as motas, já tinhamos esquecido o hotel. Agora toda a nossa atenção estava virada para a visita que íamos iníciar. Para poupar no parque pago, optamos por estacionar as motas a quase 300 metros da praça de entrada da cidade, e o que não falta junto à capitania do porto de Veneza são parques para as motas. Percorremos a pé aqueles últimos metros com uma boa disposição contagiante. Estavamos ambos alegres e preparados para a "aventura"! E até agora o que víamos era apenas uma grande e suja confusão, que nos divertia!

 

Finalmente, Veneza!

Veneza Italy

 

De Veneza já muito se escreveu! Existem centenas de páginas na internet sobre o tema, muitas crónicas e histórias já foram escritas sobre os seus canais. Por isso eu vou tentar falar na minha perspectiva, o que senti e o que vi, no fundo, o que eu achei desta cidade.

Só nos apercebemos que entrámos em Veneza, quando subimos finalmente a Ponte della Costituzione. Connosco, centenas de turistas deslocam-se em todas as direções, de máquina fotográfica, malas de viagem, chapéus, calções, chinelos... Ali só se entra a pé ou de barco, mas parece-me que em igual proporção. Olhando para o rio em baixo, o tráfego no canal é intenso com todo o tipo de barcos a navegar, muitos cheios de turistas enlatados.

 

Vamos andando, ainda sem reagir, até a outra ponte grande, a Degli Scalzi, e só aqui nos começamos a aperceber exactamente o que nos espera. Paramos, bebemos água e respiramos fundo. O primeiro passo em frente vai ser revelador!

 

Veneza Italy

 

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Primeiro e mais supreendente é a ausência de barulho. Sim, não há barulho. Há ruído, há sons, mas há também silêncio. Conseguimos ouvir o que não está lá. A falta de carros, buzinas ou motores resulta supreendentemente nisto. O ambiente é leve, quase sem poluição, e nos sons o silêncio é enorme. Ouvimos com nitidez as vozes, os risos, e quase, quase, conseguimos ouvir as máquinas fotográficas a disparar.

 

Começamos a andar pela rua cheia de comércio, cafés e turistas. Áquela hora matinal ainda estão lojas a abrir, mas já a multidão tomou conta tudo. Cada ruela estreita ou praça por onde passamos está apinhada de gente. A desorganização de movimentos é total. Afinal, ali não há regras de trânsito. Só existem peões, sem piscas ou sentidos obrigatórios. E depressa nos habituamos àquilo, sentindo-nos embebidos no ambiente. Na rua o comércio é anárquico. Tão depressa temos uma montra de roupa "fashion", como à frente está uma peixaria de mercado. Ao lado a esplanada do café quase atropela uma tabacaria que por sua vez está porta com porta com uma frutaria. E à frente, as barracas de souvenirs são enormes e repetitivas.

 

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Mas algo nos escapa. Ainda não sentimos nenhuma admiração por onde estamos, só estranheza. Os edifícios tão depressa são belos como feios. Quase todos estão em recuperação ou em obras. Vemos tapumes nas janelas ou no edifico todo. Estas têm 3 ou 4 andares, e a maior parte dos pisos térreos estão fechados. É estranho, pensamos nós, mas à medida que nos vamos perdendo para o interior de Veneza, concluímos uma coisa simples mas fantástica: tudo isto representa um esforço inglório de salvação da cidade. Vemos e sentimos o desespero dos homens em salvar esta cidade obra-de-arte. Quando finalmente percebemos isto, passamos a ter uma outra compreensão da cidade. E foi neste momento que a minha admiração passou a fascínio. Finalmente compreendi a beleza de Veneza.

 

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Passo a passo vamos percorrendo aquelas vias e ruelas passando por bonitas pontes, pequenas ou grandes. Sempre que vemos um canal, existe uma gôndola ou um barco de passagem. As casas têm portas para a água, pequenos cais de embarque. Aqui e ali vemos pessoas à janela simplesmente a admirar o seu reflexo na água escura. As janelas estão decoradas com flores coloridas, ou cortinas que esvoaçam ao vento. Pequenos varandins estão decorados com cercas de metal profundamente trabalhadas. Todos os recantos são para admirar, e as ruas dão lugar a praças, e as praças a pontes, e assim sucessivamente...

 

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Há ruas sem ninguém que desembocam em praças cheias de turistas. Há canais onde só cabe uma gôndola, como logo de seguida encontramos uma autoestrada de água, a abarrotar de barcos de todas as cores e feitios. Existem barcos de construção, de transporte de mercadorias, bombeiros, polícia, ambulâncias, gôndolas para casais ou barcos para grupos de gente! Mais uns passos e uma praça romântica... e por ali vamos andando a tirar centenas de fotografias...

 

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A certa altura metemos conversa com um gandoleiro de camisa às riscas, que aguarda todo aprumado um eventual casal de namorados com a carteira recheada. Mas não somos bem recebidos! O Gandoleiro fez de imediato juz à fama de italiano, e com cara de poucos amigos expulsa-nos da área! "Uscire di qui", diz ele muito depressa... não somos propriamente o cliente "tipo" do navegador. E fazemos o que ele manda de imediato, com um sorriso nos lábios e uns disparates em resposta.

 

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Continuação: Clique aqui para ler Veneza, Parte 2.

 


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Comments: 2
  • #1

    Edu (Sunday, 17 July 2011 00:26)

    "... Por isso eu vou tentar falar na minha perspectiva, o que senti e o que vi, no fundo, o que eu achei desta cidade."

    Ptex, nao esperava outra coisa de ti! Gostei da crónica, parabéns!

  • #2

    Joel (Monday, 17 October 2011 10:49)

    Boas,

    Gostei de rever Veneza. A ideia do site parece-me excelente. Viajar de mota é algo que ainda gostava de realizar. Continuação de boas viagens. www.reviajar.net

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