Barrancos, uma vila alentejana diferente

E de passagem, uma visita ao Castelo de Mourão...

Barrancos, Alentejo, Beja, Castelo de Mourão

Foi num fim de semana ameno que me fiz à estrada na direção do profundo interior alentejano, a escassos quilómetros da fronteira de Espanha.

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Saí de Lisboa por volta das 10h, num andamento de passeio, sempre evitando as horríveis autoestradas e "SCUTS", dispendiosas e chatas para circular de mota. O Mototurismo é também - e principalmente - o percurso, a estrada percorrida, o caminho entre o ponto de partida e o de chegada. E é neste contexto que sigo por estradas nacionais, deixando-me envolver aos poucos pela planície característica do Alentejo.

 

Passada a Ponte Vasco da Gama, sigo pela Nacional 4 até Montemor-o-Novo, entrando depois na N114 que me leva a Évora. Nada de novo neste caminho, que já percorri inúmeras vezes. O único pormenor a destacar é a temperatura que sobe gradualmente, à medida que me embrenho cada vez mais nas planícies alentejanas. Dos 22 graus celcius à partida, o manómetro já indica mais 6 graus, apenas em 1 hora e meia de caminho. Isto promete, penso eu, quando passo nas imediações de Évora.

 

Sigo viagem na direção de Reguengos de Monsaraz, desta feita pela Nacional 256 com um excelente piso. Que bela estrada para percorrer enquanto o MP3 debita um som a condizer. Estou a viajar sózinho, ao meu ritmo e com os meus pensamentos. O calor sobe gradualmente, e penso para comigo que, não tarda, estou a ouvir o famoso canto alentejano.

Barrancos, Alentejo, Beja, Castelo de Mourão

 

 

A primeira paragem é em Mourão, já debaixo de uns 33 graus abrasadores e sem uma única brisa. Páro para beber água e visitar o castelo de Mourão, fortaleza imponente entre o Rio Guadiana e a fronteira Espanhola.

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Erigido num ponto altaneiro, o Castelo de Mourão conheceu, ao longo dos tempos, as investidas de forças inimigas que levaram à sua reconstrução e redimensionamento. Foi conquistado aos Mouros, entrou no poder da coroa portuguesa entre 1271 e 1273 como dote de casamento de D. Beatriz de Gusmão com D. Afonso III de Portugal. O filho D. Dinis promoveu em 1298 uma acção de beneficiação do Castelo, e em 1343 D. Afonso IV procedeu ao levantamento da torre de menagem, com cerca de 20 metros.

Barrancos, Alentejo, Beja, Castelo de Mourão

 

 

 

 

 

Lamentei comigo mesmo não ter muito tempo para ali estar. O objectivo era ir almoçar ao Barrancos, e àquela hora (12h) o calor transformou o espaço num deserto de gente. Tudo fechado, sem viva-alma, apenas a igreja ao lado dava sinais de vida e justificava os carros ali estacionados.

 

 

 

Estou habituado ao calor e aos quilometros sem fim. De volta à mota, já refrescado, lanço-me de novo ao caminho para ir ter com o resto da malta. Os 50 quilometros que faltam são feitos em meia-hora, e sem pressa.

É no meio do dia, onde o calor começa a sufocar que chego a Barrancos para o almoço. Páro a mota na primeira sombra que encontro (não é um chaparro, mas sim uma palmeira!) e entro na frescura do restaurante "A Esquina" para um belo repasto.

 

E finalmente, a pé pela Vila de Barrancos

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O almoço prelonga-se mais que o habitual. Boa comida, boa bebida, boa sombra para nos deixarmos estar. Cada vez que venho cá fora, é como se o calor me desse um estalo. "Que braseiro", todos comentam, mas aos poucos interiorizamos que temos que sair e andar pelas ruas de Barrancos.

 

 

 

 

Nas ruas de empedrado, que sobem e descem a um ritmo frenético, só mesmo a pé é que conhecmos a vila. E é em busca das diversas sombras, de tascas e tabernas, e Associações Recreativas com as suas salas de convivo bem frescas, que nos perdemos pela vila adentro.

Barrancos é "A Vila Alentejana". Arrisco mesmo dizer que é a encarnação do espiríto alentejano, que é aqui que nasceu o alentejo e também o espiríto do contrabandista, pois está a apenas 9 km de Espanha.

 

 

 

Barrancos é uma vila portuguesa tão sui-generis, que conseguiu ao longo do tempo ter as suas próprias regras, as suas leis, não necessáriamente iguais ao do resto do País. Exemplo disso é a sobrevivência da tourada com touros de morte, cuja excepção foi consagrada na lei em 2002, ou o dialecto muito próprio, o barranquenho, actualmente lecionado na escola local.

 

 

 

Todos os cantos são fotografados por nós, motards destemidos. Somos estrangeiros nesta terra de gente simples e fechada na sua cultura. Partilhamos o país, mas sentimo-nos demasiado distantes dos seus habitantes. Quase até, que falamos línguas diferentes. 

É neste contexto que por ali caminhamos, como turistas em terra estrangeira, sob o olhar atento, matreiro mas simpático, dos poucos populares com que nos cruzamos. É junto ao balcão da Sociedade Recreativa de Barrancos que trocamos algumas palavras com alguns populares, e o tema cai sempre na nossa curiosidade sobre os seus costumes.

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Nós motards que já muito vimos, ficamos infantilmente supresos com tudo o que nos rodeia, com a tal sensação que estamos perdidos num portugal profundo raramente presenciado. Como somos pequenos, mas ao mesmo tempo tão grandes no nosso isolamento.

 

 

Barrancos é pequena, calma e rodeada de uma paisagem para lá do Horizonte. É o município que apresenta a população mais reduzida no continente, pois não chega aos 2.000 habitantes. E é muito quente!

 

Boas curvas!


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Comments: 6
  • #1

    Luis Nunes (Monday, 01 July 2013 13:47)

    Paulo, excelente. Já não ía a Barrancos á mais de 10 anos, e você agora fez-me recordar umas férias que lá passei e que me deixaram saudades. Obrigado por esta crónica! Tenho que lá ir um destes fins de semana. Continue assim, gosto da sua pagina.

  • #2

    Fernando Patricio (Monday, 01 July 2013 18:26)

    Excelente crónica, o povo de Barrancos fica agradecido.

  • #3

    To Nando (Monday, 01 July 2013 20:57)

    É tudo branco e amarelo caneco! Boa cronica, continuem!

  • #4

    Rafael Eduardo (Wednesday, 03 July 2013 21:26)

    Viva companheiro das duas rodas Muito bom seu site quando for a portugal mando mail para um chope, ta certo? Abraçao!

  • #5

    José Cardinhos (Friday, 05 July 2013 13:21)

    Excelente, dá-me imenso prazer ler as suas crónicas, os Barranquenhos vão-lhe agradecer.
    Tenho planeado para este ano uma volta a passar por esses lados.
    Cumps e continue a desfrutar da liberdade que é ser motard.

  • #6

    Pateras (Saturday, 13 July 2013 11:05)

    Barrancos é uma terra de gente boa, que gosto muito de visitar mas em meses mais frescos. Conheço o restaurante onde estiveram, se fosse no domingo tinhamos nos encontrado. Boa pagina, parabens e continue!

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