Ana Fidalgo Miguel, the  girl in the red helmet

Pequena no tamanho e grande na vontade... afinal, os sonhos não se medem aos palmos!

A Ana Fidalgo Miguel é uma motard que dá os seus primeiros passos nas grandes viagens mototurísticas. A sua mota é uma BMW F 650 GS amarelinha, a quem chama carinhosamente de "". "The girl in the red helmet", como é conhecida entre os amigos, tem uma página de facebook onde transmite de forma única as suas aventuras. O seu lema "Viajar é lavar a alma" aplica-se que nem uma luva à sua forma de estar no meio motociclístico em portugal. Obviamente, esta foi uma entrevista onde a conversa fluiu naturalmente...

 

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Turismo de Moto (T.D.M.): Olá Ana. Quando te conheci estavas a preparar a tua viagem de 10 dias à Normandia, e o teu entusiasmo era patente. Como correu?

Ana Fidalgo (A.F.): A viagem correu lindamente, excedeu mesmo as minhas expectativas, que começaram a ser criadas quase um ano antes, quando tomei a decisão de ir à Normandia para as comemorações dos 70 anos do Dia D. Sempre fui uma apaixonada pela 2ª Guerra Mundial e não podia perder esta oportunidade. Ainda por cima, finalmente tinha mota para o puder fazer, a Rá, que está comigo desde Maio do ano passado. Por isso, a viagem foi cuidadosamente planeada: o trajecto até lá ficou em aberto, mas tinha uma ideia do que ver e visitar. Tive a sorte de não ter nenhum percalço na viagem (nenhum furo, nenhum susto, nada).

 

TDM: Ao que sei, esta foi a tua estreia numa viagem além-fronteiras, como lhe chamas, o teu "Primeiro sonho realizado". Como surgiu esta vontade?

A.F.: A vontade de viajar já é muito antiga e com a Rá descobri o prazer de o fazer em solitário. A ida à Normandia concretamente surgiu numa noite em que um amigo me tentou animar depois de um dia difícil. Como adoro mapas, espalhamos alguns da Europa em cima da mesa da sala e fizemos uma litrada de chá. E assim foi. O bichinho da Segunda Guerra Mundial já vem de adolescente.

 

TDM: Portanto, decidiste logo ali fazeres-te à estrada, sozinha, sem nunca o teres feito antes. Claro que um ano é tempo suficiente para amadureceres a ideia, e finalmente chegaste ao dia de partir. O que sentiste à partida desta tua grande aventura?

A.F.: Sim, a ideia desde o início era ir sozinha. Fiz algumas viagens pequenas em Portugal e Espanha, a solo. A primeira até foi por um acaso, e apercebi-me do quão saboroso era. Preparei tudo com calma: a estadia na Normandia, o que visitar, revisão e pneus, aulas de mecânica básica... Umas semanas antes de partir tive um ataque de pânico e quis desistir de tudo. Achei que não ia conseguir, que eram muitos quilómetros, que ia acontecer algum azar, mas passou. Na noite antes de sair, mal dormi. Quando fiz os primeiros metros achei a "Rá" pesadíssima e difícil de manobrar parada, mas passou, ainda nem tinha chegado a Vila Franca de Xira!

  

TDM: És uma mulher motard e viajas a solo. A verdade é que cada vez mais vemos mulheres com mota e a viajar sozinhas. Qual é a tua opinião sobre esta massificação da mota como meio de transporte, e ao facto de haver cada vez mais viajantes no feminino?

A.F.: Penso que as mulheres estão cada vez mais conscientes das suas capacidades, que são iguais às dos homens. No meu caso, tenho a limitação da altura (tenho apenas 1,50m) mas tudo se contorna e resolve. Na Europa é seguríssimo viajar sozinha e várias mulheres já viajaram por países africanos, asiáticos e americanos. Penso que o risco é independente do género. Mas esta forma especial de viajar não é o habitual. As pessoas procuram o conforto, a gastronomia, os locais. Para mim o que conta é a viagem em si, não o destino propriamente dito.

 


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A viagem começa

na própria preparação.

Os pensamentos

fazem-se logo

à estrada.

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É o puro prazer de conduzir e não dá vontade de parar.

 

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TDM: Portanto, quando programas as tuas viagens escolhes naturalmente um destino, mas depreendo que para ti é mais importante a viagem do que o local da chegada... Porquê?

A.F.: A viagem começa na própria preparação. Os pensamentos fazem-se logo à estrada. Quando escolho um destino nunca pretendo conhecer uma grande cidade europeia, para isso vou de avião e fico por uns dias.  Gosto de percorrer os quilómetros atenta a tudo: à luz, aos cheiros, às cores, às pessoas....É o puro prazer de conduzir, e não dá vontade de parar.

 

TDM: Tens uma página de facebook intitulada "The girl in the red helmet", onde vais divulgando pequenas curiosidades sobre o que fazes. De onde veio este nome ("The girl in the red helmet")?

A.F.: A página "The Girl in the Red Helmet" surgiu ao mesmo tempo que a , nessa altura utilizava um capacete vermelho, igual ao da Benka Pulko quando deu a volta ao mundo. Esse capacete já está velhinho, pouco seguro, embora seja o meu preferido. Foi-me oferecido por um amigo meu que também me ensinou a andar de mota. Na página partilho assuntos das minhas voltas e viagens, fotografias e tópicos interessantes do mundo das 2 rodas.

 

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TDM: Achas importante as redes sociais para divulgar as tuas viagens? Como vês todo este fenómeno da internet, onde se torna relativamente fácil criar um blog, estar nas redes sociais ou ter um site de viagens?

A.F.: Olha, eu sou viciada na internet, não vivo sem ela. Especialmente não tendo nem vendo televisão, utilizo muito a internet para aceder à informação. As redes sociais tornaram-se uma ferramenta, que quando bem utilizada, nos põe em contacto com o mundo, havendo uma partilha de viajantes. Estou em contacto frequente com muitos viajantes, a maioria também solitários, e retiro muitos ensinamentos das viagens deles. É uma comunidade global. Agrada-me muito.

 

TDM: Penso que o aspecto mais importante no planeamento de uma viagem são os custos inerentes. Como fazes para conseguir ter dinheiro para viajar?

A.F.: Infelizmente as "moedinhas" são o verdadeiro motor da viagem. Começo a juntar dinheiro com um ano de antecedência para a minha "viagem grande": tenho uma latinha onde vou colocando o possível, todas as semanas. A grande fatia vai para a gasolina. Faço uma estimativa dos quilómetros e a média do preço da gasolina nos diferentes países. Quanto ao alojamento, levo tenda e sempre que possível opto pelo campismo, porque gosto muito (apesar de ser muito friorenta). Em alternativa procura hotéis económicos, como os Formule1 em França ou o Ibis.

Na Europa não é difícil viajar sem nada reservado. Quanto à alimentação, tenho a vantagem de não gostar particularmente de comer, apenas me alimento. Não faço paragens para refeições completas, vou petiscando ao longo do caminho, sempre que páro para atestar a mota (cada 200 Km). Nesta viagem que fiz, tive o patrocínio da Rod'Aventura, essencialmente em material.

Foi criado igualmente um logótipo da viagem pela empresa Magnasubstância, que foi utilizado em autocolantes e t-shirts que ajudaram a encher o mealheiro. Mas a grande percentagem do esforço é meu. 

 

TDM: Quais os teus planos para o futuro? Já tens outra grande viagem planeada, ou um próximo destino definido?

A.F.: Para o ano quero ir visitar Aushwitz na Polónia. Quero passar por Munique para visitar o museu da BMW, e à vinda quero-me perder nos Alpes. Por isso a latinha das moedinhas já começou a ser enchida! 

TDM: Que mensagem poderás deixas a quem, como tu, está a dar os primeiros passos em viagens grandes, ou que quer cumprir o sonho de fazer "aquela viagem", mas ainda não o fez?

A.F.: O ano passado tive o prazer de receber um livro com dedicatória do grande Miguel Silvestre, dizendo "não desistas dos teus sonhos". E é isso mesmo. Sonhar, desejar, querer. O passo seguinte e natural é fazer! Mas para isso poderemos ter de abdicar de muita coisa. São escolhas naturais que temos de fazer.

Quando fiz uma estrada deliciosa dos Pirenéus franceses este ano, olhei para as escarpas e pensei "É por isto e para isto que eu me mato a trabalhar o ano todo!". E vão encontrar muita gente que vai duvidar e quase tentar convencer-vos a não ir, porque é perigoso, porque são malucos em ir sozinhos, porque pode acontecer alguma coisa má....deixem-nos falar. Oiçam mas sigam a vossa estrada. Porque no fundo, no fundo, eles gostariam era de estar a fazer algo parecido, mas têm raízes como as árvores.

 

Entrevista de Paulo Teixeira para www.turismo-de-moto.com | Fotos: Ana Fidalgo Miguel


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Comments: 6
  • #1

    Jonas (Wednesday, 22 October 2014 13:35)

    Pequeno papo muito interessante, te felicito por estes artigos de interesse, onde dá a conhecer essa gente maravilhosa. Um dia irei visitar a europa, e quem sabe não conheço a galera de portugal? Continue e obrigado pelo teu trabalho.

  • #2

    Tiago (Wednesday, 22 October 2014 15:21)

    Boa entrevista,mas uma pequena curiosidade,como é possivel conduzir essa mota com essa altura?

  • #3

    Ana Fidalgo Miguel (Thursday, 23 October 2014 00:45)

    Tiago, a Rá está rebaixada para assim eu puder chegar com as pontinhas dos pés ao chão. Há sítios que só chego mesmo com um. Torna-se uma questão de habito. Até lá, sou sincera, deixei cair a mota várias vezes, até me habituar ao peso e à distribuiçao deste. E depois com muita muita paixão tudo se resolve ;)

  • #4

    Tiago (Thursday, 23 October 2014 11:29)

    Obrigada pela pronta resposta,é que eu tambem gosto desse tipo de mota e tenho 1,67,pensava eu que era impossivel...

  • #5

    Ana Miguel (Thursday, 23 October 2014 15:22)

    Tu és um gigante Tiago!!!!!

  • #6

    Primix (Friday, 24 October 2014 02:41)

    Gostei muito de ler, tenho te seguido um pouco no face, compreendo te muito bem no gosto de viajar sozinho, o ano passado fiz Marrocos e sentia me um passaro livre pelo mundo. Este ano atravessei os paises do suleste da europa acompanhado e senti me muito preso, provavelmente por estar mais preocupado a cumprir horarios e a segurança da minha companheira. Força e concordo plenamente contigo "Viajar é lavar a alma"

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