A história do Mototurismo

 Última revisão: 29 de Março de 2013


Existem registos de viagens turísticas feitas em duas rodas, a partir de 1920.

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A necessidade do homem em montar um mota e correr caminhos à descoberta do mundo mistura-se com o próprio desenvolvimento desta máquina, que se massificou principalmente graças à 1ª guerra mundial e rapidamente passou a fazer parte do imaginário dos mais aventureiros. Este espírito de aventura, liberdade e descoberta foi-se desenvolvendo de tal forma, que em meados dos anos 50 surgiu o termo "MOTOTURISMO", evoluindo até à actualidade.

 

O ambiente sócio sócio-económico do pós-guerra (1914-1918) foi propício à massificação dos motociclos, pois eram máquinas baratas, de fácil manutenção e acessiveis aos bolsos mais pobres.

1922 - Clare Consuelo Sheridan, a primeira mulher...

Clare Consuelo Sheridan foi uma mulher de carreira. Escultora de renome, escritora, jornalista e viajante, sempre levou uma vida de aventuras. Nasceu em Londres a 9 de setembro de 1885, uma das três filhas do casal milionário americano Jerome Leonard e Clarissa Hall.


Sheridan não era apenas uma mulher talentosa nas artes e escrita. Em 1922 tornou-se correspondente europeia do jornal New York World, e passou a ser uma viajante incansável. Muitas das suas viagens foram realizadas de carro ou de mota com side-car, havendo na época muitos autores a escrever sobre as suas viagens e as suas aventuras. Podem ler a sua biografia aqui.

 

De 1928 a 1936 - A volta ao mundo numa mota

Em 1928, dois jovens húngaros decidiram dar a volta ao mundo numa Harley-Davidson com side-car. Zoltan Sulkowsky  e o amigo Gyula Bartha, partem numa aventura de 9 anos, publicando posteriormente em livro a sua história, muito realista, sobre o mundo que viram, onde a infuência da europa nas colonias africanas se faziam sentir em grande escala. 

 

Os dois experimentaram as riquezas de sultões, testemunharam culturas primitivas e de extrema pobreza de vilas remotas, viajaram através de desertos e percorrem estradas de todos os tipos. Enfrentaram animais selvagens, lidaram com lama, areia, calor e frio extremos, e rios que, para atravessar, a mota tinha que ser desmontada para caber em pequenos barcos.

O livro das suas aventuras, "Around the World on a Motorcycle: 1928 to 1936" é inteligente e envolvente, oferece uma visão de mundo única entre as guerras mundiais, temperado pela grande diversidade de culturas e da grande variedade da vida humana que existe no planeta.

 

1931 - "One man Caravan" de Londres a Tóquio

Robert Edison Fulton Jr

Em 1931, o jovem Robert Edison Fulton Jr festejava com os amigos o final do curso de arquitectura na Universidade de Viena, quando lançou a ideia que gostaria de fazer uma grande viajem de moto, mas para isso teria que conseguir uma máquina fiável.

 

A sorte estava dos eu lado, pois entre os presentes na festa estava o fabricante das motas "Douglas" que prontamente lhe ofereceu uma mota para a sua aventura.

Com apenas 23 anos de idade, Fulton Jr, parte numa viagem solitária de 40.000 km, entre Londres e Tóquio e que durou 18 meses. Tudo registrado no livro “One Man Caravan

 

1950 - Che Guevara e La Poderosa II...

La Poderosa II, em 1952
La Poderosa II, em 1952

Em 1950 já o ícone Che Guevara tinha feito a sua viagem começada de moto e terminada a pé, pelas províncias argentinas de Tucumán, Mendoza, Salta, Jujuy e La Rioja, na qual percorreu diversos resorts Andinos. Não foi propriamente uma viagem de turismo, mas foi concerteza uma das primeiras grandes viagens feitas numa mota.

 

E Che volta a repetir a façanha em 1952. Com Alberto Granado, parte numa grande viagem pelo continente, de Buenos Aires a Caracas, na velha mota do companheiro, uma Norton 500 cc, fabricada em 1939 e apelidada de La Poderosa II. Esta viagem deu em livro e mais tarde em Filme, ambos intiulados "Diarios de Che Guevara", (Walter Salles 2004).

 

1953 - A viagem de Geoffrey Gander

Em 1953, o ingês Geoffrey Gander junta-se a uns amigos (tanto homens como mulheres) e decidem fazer uma viagem mototurística pela Europa. Uma viagem a sério, passando por diversos países como França, Alemanha, Áustria, Itália e Suíça e devidamente retrata por fotos, um pormenor pouco comum na época.

As motos usadas por este engenheiro e amigos foram a GAU 856 Brough Superior SS100 com sidecar, moto ainda existente na garagem de um dos descendentes, uma AHC 650 Triumph Thunderbird de 1950, a KBY Sunbeam 571 e uma 871 VMM Sunbeam. Destas, pelo menos uma delas ainda deve existir em casa de um amigo de Geffrey que a guardou como recordação, e finalmente uma AHC Triumph 963.


A viagem teve início no Aeroporto Lympne, no Reino UNido, em julho de 1953, e terminou em Le Touquet, depois de percorrem cerca de 3.200 km. Podem ler esta crónica bastante extensa, e ver muitas mais fotos, no site criado para o efeito pelo filho de Geffrey, aqui: www.go-faster.com

 

2004 - "Long Way Round", a mais mediática...

Quando a marca se confunde com a prórpia viagem...

Ewan McGregor e Charley Boorman, LongWay Round, 2004.
Ewan McGregor e Charley Boorman, LongWay Round, 2004.

De todas as viagens mototuristicas, talvez a mais mediática é a que o ator Ewan McGregor e o amigo Charley Boorman fizeram em 2004: decidiram sair de moto de Londres (Inglaterra) até Nova Iorque (EUA), atravessando a Europa, Ásia e América do Norte, viagem a que deram o sugestivo nome "Long Way Round".

 

Em 2007 reuniram a mesma equipe e fizeram o "Long Way Down", saindo de John O'Groats (Escócia) até a Cidade do Cabo (África do Sul), descendo a Europa e a África!

 

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A evolução das motas

Na segunda metade da década de 60, a indústria motociclística inicia o lançamento de modelos que aliam motores mais potentes ao design mais cuidado, conforto e autonomia, levando os consumidores a participarem num novo conceito no universo motociclístico. Assim, andar de mota deixa de ser apenas uma modalidade desportiva ou um mero transporte citadino. Começa aqui uma nova cultura e o surgimento de expressões ligadas cada vez mais ao mototurismo: aventura, liberdade, prazer e descoberta.

 

A partir de último terço do século XX, também o equipamento motociclistico começa a desenvolver-se tecnologicamente, com novos materiais a aparecerem no mercado, mais confortáveis e mais seguros. 

Actualmente existem no mercado várias marcas e modelos de motociclos denominadas de Grandes Túrsiticas (GTs), que tornam possível cada vez mais e melhores viagens, permitindo percorrer grandes distâncias com conforto.

Seja qual for a marca ou modelo, viajar de mota é sem dúvida uma experiência única e inesquecivel, que nos leva por caminhos que de outra forma nunca conheceriamos. A grande vantagem de viajar de moto em comparação com um automóvel, é que de carro podemos apreciar a paisagem, mas de mota sentimo-nos como fazendo parte dela.

Por isso, pelo menos uma vez na vida experimente fazer uma viagem de mota, nem que seja pequena. Vai ver que nunca a mais a vai esquecer!


Boas curvas!

 

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Nota do autor

Este é um artigo que vou aperfeiçoando ao longo do tempo com o intuito de conseguir um documento fiável sobre a história do mototurismo. Se quiser corrigir ou acrescentar nova informação, por favor envie-me um e-mail. Prometo que farei a devida referência aos autores. Obrigado.

 


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